sábado, 31 de dezembro de 2011

Reflexão para o planejamento - por Izabel Sadalla Grispino

A escola, num sentido mais amplo, enquanto instituição do sistema de ensino, segundo o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, “tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Mas, nem sempre o declarado desejável nos documentos oficiais corresponde, efetivamente, o que se realiza nas escolas.

O ensino ministrado é bem mais o elaborado pelo professor do que o sistematizado pelos órgãos centrais e o professor, de um modo geral, planeja para o aluno médio, deixando de lado os mais fracos, que acabam se marginalizando no processo de ensino. Geralmente, ele deixa de considerar o ritmo dos alunos, não se apercebendo de que uns aprendem mais rapidamente e outros necessitam de atividades de reforço para assimilar o conteúdo. Esses aspectos devem ser atendidos pelo professor, que precisa ter uma atitude igualitária para com todos. É freqüente o professor, sem se dar conta, discriminar pedagogicamente. Favorece os que são mais fáceis de aprender, desprezando os que têm mais dificuldades, os mais fracos, provenientes, de um modo geral, de famílias pobres, discriminados socialmente e agora, também, pela escola.

A escola pode trabalhar tanto para o aprimoramento da sociedade, ajudando, pela educação, os mais necessitados, como para conservá-la tal como se apresenta, continuando a favorecer a classe hegemônica. Mais que toda organização curricular, mais que projetos pedagógicos ou programas bem montados, é ele, o professor, no contato direto com os alunos e suas famílias, o responsável pela ação educativa.

O professor precisa, pois, meditar sobre seu papel social, sobre suas expectativas e seus valores. Refletir sobre as expectativas que mantém em relação ao rendimento escolar do aluno. Experimentos mostram a forte correlação entre expectativa e aproveitamento, mostram que as expectativas do professor têm influência considerável no resultado da aprendizagem. Os alunos conseguem resultados superiores quando seus professores esperam mais deles.

É possível que a criança vá mal na escola, porque é isso que se espera dela. O experimento realizado por dois pesquisadores, Rosenthal e Jakobson, é famoso na literatura pedagógica. Põe em evidência a importância das percepções, dos valores, sobre os alunos que o professor ensina e avalia no dia-a-dia escolar. Diz respeito à profecia auto-realizadora.

No começo do ano letivo, estes pesquisadores fizeram com que os professores de uma escola acreditassem que alguns de seus alunos teriam condições de apresentar grande progresso. Os professores supunham que estas predições estavam baseadas em testes que haviam sido realizados com os alunos. Na verdade, os alunos indicados foram escolhidos ao acaso e não a partir de qualquer resultado de testes. Apesar disso, os testes de inteligência, aplicados depois de vários meses, indicaram que, no conjunto, as crianças escolhidas aleatoriamente tinham progredido mais que as outras.

A esse aspecto revelador do preconceito no ensino-aprendizagem, em relação ao social, acrescenta-se um outro, o processo de avaliação da aprendizagem. Perguntamos aos professores: a avaliação vem se pautando em critérios condizentes à situação de vida de determinadas classes sociais? Os critérios têm ressonância na realidade de vida do aluno? Estatísticas mostram que a ausência de escolarização, por evasão ou repetência, atinge basicamente os alunos das classes economicamente mais baixas.

A avaliação não é um processo unilateral, os resultados obtidos revelam tanto o esforço do aluno quanto do professor. Nota-se, na escola, uma ausência de avaliação contínua e presença de uma avaliação empobrecida, com medidas de aprendizagem parciais, descontínuas, fragmentárias, seja por falta de orientação recebida pelo professor, seja por sua sobrecarga de trabalho, seja pelo número elevado de alunos por classe.

O professor, ainda, não deixa claro os aspectos a serem avaliados, apoia-se, de preferência, em objetivos amplos, pouco precisos, o que não facilita, em nada, o seu trabalho. Após os estudos de Rosenthal e Jakobson, sabemos que os critérios de avaliação do aluno são muito influenciados pelas expectativas que o professor tem de seu aluno. Um professor cujo nível de expectativa, em relação ao aluno carente, é baixo, tenderá, sistematicamente, a excluir esse aluno, conceituá-lo negativamente.

Podemos perceber que há vários fatores que podem interferir na precisão dos resultados da avaliação, sendo necessário refletir sobre eles e buscar um equacionamento. O planejamento é um momento, no ano letivo, em que a escola como um todo, numa reflexão conjunta, avalia os pontos positivos e negativos do ano anterior, faz um balanço das atividades desenvolvidas, levanta problemas, propõe questões, programa ações, visando recuperar as perdas, reequilibrar-se. A escola, com seu representante-mor, o professor, responderá pelo bom ou pelo mau ensino, pela evolução ou estagnação da sociedade.

Adaptação

O início do ano é um momento precioso na escola, em que tudo é novo e difícil para crianças, pais e professores. Mas, com paciência e carinho, as relações vão se construindo...
Início do ano letivo. Uma nova turma de crianças faz a sua estréia na escola. É tempo de adaptação. É bem verdade que, hoje em dia, a maioria das crianças começa bem cedo na creche nem se lembrando do seu primeiro dia na escola, porém, mesmo para estas, a ida para uma nova escola é um momento especial.

Costuma-se chamar de adaptação o período inicial do ano letivo em que crianças (e também seus responsáveis) estão se acostumando à nova escola. Cada escola tem suas próprias crenças e métodos. Algumas acham desnecessário dar um tempo para esse "acostumar-se", mas a maioria, especialmente as que trabalham com crianças pequenas, planejam um período de adaptação cuja duração e características variam. Normalmente, neste período, os pais são convidados a ficar na escola com a criança e pode existir um horário mais curto e flexível que aumenta gradativamente.
Muitos, se perguntados, dirão que adaptação é isso. Algo, portanto, que tem a ver com crianças pequenas e escolas novas. É verdade, adaptação é isso e um pouco mais... A flexibilidde do horário e a permanência de alguém conhecido da criança na escola são o lado visível do processo que envolve outros aspectos que, muitas vezes, passam despercebidos.
Ao entrar para uma escola, a criança trava conhecimento com um novo espaço que é físico e também subjetivo, afetivo, enquanto espaço de relações. Lembro-me de uma mãe que contava que os filhos teimavam em dizer que a nova escola era menor que a anterior embrora ela fosse visível e gritantemente maior.

A moça se dizia decepcionada com a reação dos filhos, pois o espaço amplo oferecido pela nova escola fora um dos pontos que pesara na escolha do colégio. Fiquei pensando de que espaço falavam aquelas crianças...

Quando chega numa escola nova, vinda de outra de que gostava - que muitas vezes é a creche onde entrou ainda bebê - e da qual não saiu por vontade própria, a criança pode estar dividida. Perdeu muito e ainda não sabe o que (e se) ganhou: "Nessa escola não tem nada do que eu gosto!", dizia o garotinho emburrado. E, quando a professora perguntou sobre o que havia na outra escola e mostrou que ali havia material parecido, ele não se deixou convencer: "Tudo na minha outra escola era mais bonito".

"Eu não queria vir aqui. Foi minha mãe que queria." Às vezes acontece de a criança estar vindo de uma outra escola da qual não gostava. Não sabe o que esperar da nova. Por que deve acreditar que a nova seja melhor ? "Não gosto daqui, não gosto de nenhuma escola. Quero ficar em casa", repetia a menina a cada tentativa de aproximação da profesora. O que dizia era verdade. Não podeia gostar daquele lugar que ainda não conhecia. Precisará de tempo para descobrir que as escolas são diferentes, tempo para descobrir no novo ambiente algo que a interesse, que a encante, tempo para se deixar encantar.

Quando penso nos muitos períodos de adaptação que já acompanhei, ecos e imagens variadas me vêm à mente. Há crianças que chegam animadas e vão logo perguntando: "Onde é minha sala?" Isso quando não entram despachadamente na primeira porta que encontram e tratam de explorar o novo ambiente sem a menor cerimônia. Sentem-se à vontade desde o momento que chegam.

Há as que chegam devagar, trazendo na mão algum brinquedo ou objeto. Olham tudo com atenção, aproximam-se devagar. Vão até a porta da sala, mas se recusam a entrar. Ficam olhando da porta o que acontece lá dentro. Aos poucos acabam entrando. Há também as que chegam assustadas, não soltam as mãos que as trouxeram e sequer olham para a professora ou quem quer que se aproxime.

Dentre todas as imagens que me vêm à mente, quando penso em adaptação, uma me parece particularmente rica de significados. É a de crianças paradas no meio do caminho que leva à sala, seja no corredor, ou entre os dois lances de escada que, no colégio onde trabalho, levam às salas que ficam no primeiro andar. Param indecisas sem saber se voltam para a mãe, o pai, a babá ou a avó que acena (ou acaba de desaparecer), ou se seguem ao encontro da professora que as aguarda na sala. Às vezes olham para trás, para os lados... Imagino que tudo deva parecer enorme e vazio!
Quando as vejo pararem indecisas, sem saberem se vão para frente ou para trás, costumo ir até elas. Em geral, uma palavra de incentivo basta, ofereço a mão, subimos juntas e eu as acompanho até a sala. Outras vezes acontece de pararem no meio do caminho e começarem a chorar. O desespero é tal que não há como subir, como continuar e, nesse caso, procuro ajudá-las a voltar, a ir ao encontro dos braços conhecidos que a trouxeram. Entretanto, mesmo acompanhadas, há crianças que não conseguem se decidir a continuar, ficando assim a meio caminho - lugar desconfortável - entre a segurança do já conhecido e as possibilidades do novo. A estas, com paciência e tranqüilidade, pode-se mostrar que suas pernas alcançam os degraus. Que vale a pena o esforço da caminhada. Algumas crianças precisam ser buscadas antes de conseguirem ir por conta própria.

É interessante observar como as crianças chegam. É igualmente interessante observar como são trazidas. Ao receber uma criança, uma escola recebe uma família. Com isso gostaria de chamar atenção para o fato de que o período de adaptação pode ser uma necessidade para os pais que levam seu filho/filha para a escola. "Estou mais nervosa que ele", dizia a mãe. "Não sei se vai dar certo. Acho que ele é ainda muito pequino." Muitas vezes o adulto está inseguro seja quanto à capacidde do filho/filha (ou da sua própria) de enfrentar a situação nova, de encontrar pessoas diferentes.

Como as crianças, muitos vêm de outras experiências, de outros filhos. Mas há os que nunca passaram por isso, são "marinheiros de primeira viagem". Cada um traz sua história. Todos trazem expectativas. Como as crianças, uns logo sentem à vontade enquanto outros parecem tensos. Há os que se sentem enciumados, ameaçados ou postos a prova. Como se, diante das reações da criança, sua competência, enquanto pais, fosse ser julgada. Lembro de uma mãe que empurrava a filha na direção da sala, parecendo muito aflita. Falava sem parar com a menina que, sem parecer ouvir, mais se agarrava a ela e continuava a chorar. Quanto mais ela insistia, prometia e ameaçava, mais a criança gritava. O desespero de ambas era visível. Quando me aproximei, a mão falou: "O que vocês devem estar pensando de mim com essa criança que não pára de chorar ? Vão pensar que não dou educação, que ela é mimada, insegura. Só tem ela chorando. Até os menores já estão na sala. Não sei o que houve. Ela nunca foi de fazer escândalo." Antes de tudo era preciso tranqüilizar aquela mãe. Falar-lhe da importância da sua presença para a menina, explicar-lhe que ninguém a estava julgando, assegurar-lhe que podiam ficar juntas, que não havia mal nisso, que com o tempo a criança a deixaria.

Às vezes, uma adaptação difícil é facilitada quando, em vez do adulto muito ansioso, que não consegue se sentir tranqüilo, a criança vem acompanhada pela babá, avó,enfim, outra pessoa que não esteja tão envolvida e que, portanto, possa transmitir segurança e tranqüilidade.
No que se refere aos pais, a adaptação faz parte do processo de construção de um vínculo de confiança com a escola. E, às vezes, confiar leva tempo. Alguns pais vão precisar testar e perguntar muito sobre tudo e todos antes de "entregarem"os filhos. É justo que queiram muitas informações. Mesmo algum tempo depois do início do ano letivo, somos surpreendidos com um comentário ou pergunta que nos fa pensar que os pais ainda têm dúvidas sobre a escolha que fizeram, o que é perfeitamente compreensível. Somente aos poucos, no desenrolar do ano, das relações, é possível ir conhecendo e avaliando a escolha feita. São muitos os aspectos envolvidos na escolha de uma escola. Sejam quais forem as razões que nortearam a escolha, e por mais cuidadosa que esta tenha sido, isso não garante que tudo corra bem, não significa que a escola corresponda ao que era esperado e que seja boa para aquela criança específica. Às vezes, uma determinada criança não se sente bem numa escola, enquanto seu irmão a adora.

Acontece ainda alguns pais trazerem o filho e avisarem que não podem ou não querem ficar. Certa vez presenciei uma mãe deixar o filho com a professora e, diante do choro da criança, dizer: "Não adianta, não vou ficar. Não tenha paciência, acho isso a maior frescura. Se chorar, chorou, depois pára." É preciso lidar com isso também. E, como em todas as situações, de preferência sem julgamentos, sem preconceitos, procurando garantir o espaço para as diferenças.Talvez ajude, se pensarmos que este é apenas um primeiro momento. Se for preciso, outros serão criados depois para trocar observações, sugestões, para ouvir, para contar, para entender...

E o professor ? Ele é peça fundamental nesse processo todo. Ele, também, por mais experiência que tenha, por mais conhecimento e jeito, passa a cada início de ano por um processo de adaptação à nova turma. Às vezes há outras adaptações a fazer como, por exemplo, ao seu par de trabalho, pois é comum o professor de crianças pequenas trabalhar com um professor auxiliar. Se mudou de turma, o professor terá que se adaptar à faixa etária do seu novo grupo e, nessa fase, um ano faz bastante diferença.

Já ouvi de alguns professores que não gostam do período de adaptação porque, nele, se sentem muito abservados. Para eles é um momento delicado, cansativo. O grupo ainda não se constituiu. Como dar atenção a todos ? Como dar o tipo de atenção que cada um requer ? Que fazer com aquele pai que monopoliza a atenção, falando do filho ?

A empatia entre o professor e a turma nem sempre é imediata: "Morro de medo de não conseguir gostar da minha turmas", disse-me certa vez uma professora. Como as crianças e as famílias, cada professor tem suas expectativas, sua história, seu jeito próprio, o qual, dentro do possível, é preciso respeitar. Cada um se tornou professor por um motivo diferente, cada um é um professor diferente. Aos poucos, à sua maneira, vão conquistando a turma, deixando-se conquistar por ela, e logo passam a ser vistos cercados de crianças que parecem já conhecer há muito tempo. Adaptação é tudo isso: é conquista, conhecimento, paciência, insegurança, crescimento, confiança... São tantas outras coisas! Um processo feito de outros processos individuais. Se envolve gente, envolve tempo, envolve sentimentos (às vezes contraditórios), envolve afeto.
E, voltando à imagem da escada da qual falei anteriormente, o melhor da história é ver como em pouco tempo - pouquíssimo - o subir penoso é substituído por um saltitar alegre e descontraído, acompanhado de risos e de uma tagarelice sem fim.

Maria José de Serra

Dinâmicas de Volta às Aulas

Muitos autores têm afirmado que as escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Cada vez mais percebemos a importância da educação ser pensada como meio de promover a própria vida.
Infelizmente, o currículo atual da maioria das escolas ainda prioriza o desenvolvimento cognitivo, o conteudismo, excluindo a emoção humana e o afeto do processo ensino-aprendizagem.
Para que tenhamos uma educação mais humanista se faz necessário que o educador abandone as velhas concepções de ensino e busque uma nova visão que possa construir uma sociedade mais justa, democrática e solidária.
É necessário que o professor invista na formação de vínculos afetivos, acreditando na pessoa e compreendendo seus limites individuais. O educador precisa recuperar a afetividade na escola, não somente o afeto que consola, mas também o afeto que impulsiona, pois aponta caminhos e reconstrói a esperança num mundo melhor.
Nos primeiros dias de aula é fundamental sondar as expectativas do grupo e integrá-lo. Portanto, inicie de forma acolhedora e afetiva, assim ficará mais fácil planejar aulas onde os sentimentos estejam presentes e não só a razão.



“Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
A escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se 'amarrar nela'!”

(Paulo Freire)



Sugestões de atividades práticas:

  • Painel de boas vindas interativo:

Muitos professores do 1°ciclo do ensino fundamental passam horas desenhando murais e painéis para ornamentar a sala de aula. Já os docentes do 2°ciclo raramente se preocupam com isso. Sugerimos que haja um equilíbrio e que o acolhimento seja interativo e esteja presente em todas as classes.

A VIAGEM

Objetivos:

  • Levantar as expectativas dos alunos em relação ao ano letivo;
  • Acolher o novo grupo;
  • Ornamentar a sala de aula de maneira significativa.

Procedimento:

  • O professor afixa na parede da sala um painel com uma paisagem de fundo. No mesmo deve estar escrito: Sejam bem-vindos a viagem do saber!
  • A paisagem de fundo pode ser: marítima, celeste, florestal, etc...
  • A proposta é construir o painel com o grupo.
  • Sendo paisagem marítima, propor que cada aluno faça a dobradura de um barco e imaginem a viagem decorando-o livremente e escrevendo uma palavra ou frase o que espera alcançar durante a mesma, ou seja, quais são suas expectativas em relação ao ano letivo.
  • Sendo celeste podem ser confeccionados pequenos aviões de papel.
  • O fundo florestal permite que cada um escolha um animal ou planta com o qual se identifica e construa da mesma forma: dobrando, recortando, colando...
  • O importante é que os alunos expressem seus sentimentos e desejos. Com tudo pronto oportunizar um momento agradável onde cada um prenderá o que construiu no painel de boas-vindas interativo, apresentando-se à turma.

TEIA DE ARANHA

Objetivo:

  • Estimular o entrosamento entre os alunos.

Procedimentos:

  • Propor que os alunos fiquem em pé, forando um círculo.
  • Entregar um rolo de barbante ou cordão.
  • Solicitar um voluntário para iniciar a tarefa sugerindo que o mesmo escolha um membro do grupo para entregar uma outra parte do cordão e receber uma mensagem sua.
  • Sucessivamente um vai abrindo o rolo e entregando a um colega até que todos tenham recebido a mensagem e o cordão, formando assim a teia de aranha.
  • Em um segundo momento, com todos sentados levantar a questão: O que pode e não pode ter em nossa teia? Listar as opiniões dos alunos para a confecção de um painel de combinados da classe.
  • Para encerrar permitir que os alunos ilustrem o painel através de uma técnica artística: desenho, recorte, colagem, dobradura, etc...

QUE MÚSICA VOCÊ É?


Objetivo:

  • Propiciar a apresentação dos alunos de forma descontraída;
  • Levar os participantes a identificarem seus ritmos e gêneros musicas, assim como refletirem sobre a importância de respeitar as preferências alheias.

Procedimentos:

  • Solicitar aos alunos que escolham dentre as músicas que conhecem e gostam um trecho que, de alguma forma, o represente.
  • Cada um deve cantar o trecho escolhido para a turma.
  • O professor/dinamizador da atividade tem o papel de sondar se todos já ouviram aquela música, quem é o cantor(a), qual gênero musical, por que foi escolhida, se alguém não gosta, etc.
  • A regra é não repetir as músicas já apresentadas e respeitar as preferências dos colegas.
  • Com todos devidamente apresentados pedir que sistematizem no papel criando um cartaz de sua apresentação.
  • Com todos os cartazes prontos criar um painel para sala de aula: “Somos como músicas”.

ÁRVORE DOS SONHOS

Representar uma árvore no papel pardo ou cartolina; afixá-la no painel ou parede. Em cima da árvore, escrever uma pergunta relacionada com o assunto (pode ser sobre questões ambientais, regras de convivência, o ambiente escolar etc) que será tratado durante o bimestre, trimestre... Ex.: Como gostaríamos que fosse...?

Cada criança receberá uma "folha da árvore" para escrever seu sonho, o sonho é o que a criança espera que "aconteça de melhor" para o assunto em questão. Depois, pedir para cada criança colocar sua folha na árvore dos sonhos.

Obs: Esta atividade poderá ser retomada durante o período que for trabalhado o assunto, ou ao final do período para que haja uma reflexão sobre o que eles queriam e o que conseguiram alcançar.

DA CONFUSÃO À ORDEM

Estas atividades são ideais para que a criança perceba a necessidade da organização para o bom desempenho das atividades. O professor pode, a partir da fala das crianças, levantar algumas regras para a organização em sala de aula.

Pedir para que as crianças, todas ao mesmo tempo, cantarem uma música para o seu companheiro do lado (esta atividade gerará um caos); depois pedir a um aluno que cante a música dela para a classe. As crianças perceberão como o caos é desagradável e como a ordem tem um sentido.

O professor poderá levantar com as crianças outras situações vividas onde a organização é essencial.

O LAGO DE LEITE

(Despertar no aluno o prazer do trabalho em conjunto e a importância da ação individual na contribuição com o todo.O professor poderá falar um pouco sobre o trabalho na série, para que as crianças entendam a importância do envolvimento de todos para a realização do mesmo).

Em um certo lugar no Oriente, um rei resolveu criar um lago diferente para as pessoas do seu povoado. Ele quis criar um lago de leite, então pediu para que cada um dos residentes do local levassem apenas 1 copo de leite; com a cooperação de todos, o lago seria preenchido. O rei muito entusiasmado esperou até a manhã seguinte para ver o seu lago de leite. Mas, tal foi sua surpresa no outro dia, quando viu o lago cheio de água e não de leite. Em seguida, o rei consultou o seu conselheiro que o informou que as pessoas do povoado tiveram o mesmo pensamento: "No meio de tantos copos de leite se só o meu for de água ninguém vai notar..."

Questionar com as crianças: Que valor faltou para que a idéia do rei se completasse? Após a discussão é interessante que os alunos construam algo juntos, como por exemplo: o painel da sala. A sala pode ser decorada com um recorte que, depois de picotado, forma várias pessoas de mãos dadas, como uma corrente.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pesinho de porta para sala de aula

Gente, olha que cute o que encontrei na net. É um pesinho de porta de sapinho. Simplesmente amei!!!

Segue abaixo o passo a passo.


Espero que gostem!!!
Tia Nanda

Músicas Infantis

Bom dia, leitores!!!

        Pra quem está sem acervo de músicas infantis para o próximo ano e quiser letras, este link abaixo está repleto delas.
http://letras.terra.com.br/temas-infantis/
        Uma ideia é formatá-las, imprimí-las e colá-las em um caderninho customizado feito por mim, ou por vocês.

         Nestas férias, farei o meu e assim que sair do forno, fotografo e posto para vocês, ok?


Tia Nanda

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Atividade Lúdica do Bebê

         
 O bebê precisa de se adaptar a um mundo novo mas, para que isso ocorra, é preciso conhecê-lo e compreendê-lo. Por natureza, as crianças são muito curiosas, possuindo um desejo natural de compreender tudo o que se passa à sua volta, embora seja limitado pelas suas reduzidas capacidades motoras, que restringem as suas possibilidades de exploração.          Como se tem verificado, desde o primeiro momento, a capacidade perceptiva e a inteligência do bebê atuam em consonância com o ambiente. Um bebê, deitado no berço, verifica que, ao mexer-se, o móbile também se mexe. A partir daí, repete o mesmo movimento, porém, agora de forma objetiva e consciente. Dado que o bebê, nesta etapa, se encontra deitado, a decoração do berço estimula a sua inteligência. Obviamente que, à medida que vai crescendo, tal estende-se a outros espaços.

          Aos 4 meses, a criança consegue controlar de forma mais eficaz os seus movimentos podendo, com razoável precisão, aproximar a mão dos objetos, desde que estes estejam próximos. Então, o chocalho que ela sacode e produz som, o brinquedo que ela morde, a grade do berço, etc., cada objeto próximo adquire vida e estimula-o para novas e ricas experiências.

         Nesta idade é muito comum brincar com o abrir e fechar os olhos, o que, para a criança, representa perder o mundo ou possuí-lo. Uma boa forma de estimulação é a tradicional brincadeira de esconder o rosto com algo, e depois reaparecer.

        O atirar objetos para o chão, atividade que tanto aborrece os adultos, mas que diverte imensamente as crianças, acaba por ser uma experiência que o bebê faz com o objeto e com o adulto, numa relação causa/efeito, em que o atirar o objeto causa o seu desaparecimento e respectivo barulho na queda, e a respectiva reação na cara dos adultos...

         No segundo semestre de vida, o bebê descobre um novo e maravilhoso brinquedo: os seus pequenos dedos, e a sua capacidade para entrar em objetos ocos. Geralmente, os "buracos" preferidos para os seus dedos são os olhos, ouvidos, a boca (sua e das pessoas à volta), etc. Nesta fase, a criança passa a explorar tudo o que seja possível metendo lá um dedo (atenção às tomadas elétricas...).

        O bebê sente prazer em explorar, manipular, encaixar, descobrir, construir... O desejo de aprender e conhecer é evidente em todos os bebês saudáveis. No início da vida, cada gesto e ato executado atua de forma permanente na construção da sua inteligência e desenvolvimento. A curiosidade faz parte da natureza humana, e caminha, lado a lado, com os interesses e necessidades de cada indivíduo, influenciando-o.

         Verifica-se em alguns adultos, que estes "podam" a curiosidade natural das crianças, impedindo-os de tocar, sentir e experimentar determinados objetos. A repetição constante do NÃO e a punição física em resposta a esse desejo natural da criança poderá trazer, como consequência para o seu desenvolvimento os seguintes problemas:
- Baixo Q.I.;
- Futuros problemas na aprendizagem;
- Insegurança;
- Retraimento, timidez, medo do desconhecido;
- Intolerância à frustração;
- Chamadas de atenção pela negativa;
- Baixo auto-conceito/auto-estima;
- Entre outros.

         Uma criança pequena não tem noção do perigo, e é óbvio que ela também precisa de aprender o NÃO, mas ao mesmo tempo precisa de estímulos para crescer, aprender e compreender tanto objetos, como pessoas, que fazem parte do seu mundo.
A Criança Aprende Brincando!
 
        É brincando que a criança aprende o que mais ninguém lhe pode ensinar. É dessa forma que ela se estrutura e conhece a realidade. Além de estar a conhecer o mundo, está-se a conhecer a si mesma. Ela descobre, compreende o papel dos adultos, aprende a comportar-se e a sentir-se como eles. Não são necessários muitos brinquedos para o bebê brincar, pelo contrário, o poder da imaginação e da criatividade é enorme.
Ideias para estimulação do Bebê
1º. mês - Converse ou cante para o bebê. O som da sua voz é reconfortante e transmite-lhe segurança.
Faça massagens na criança, estimule cada parte do corpo dela: pés, mãos, costas, rosto. Pode-se colocar música suave e revelar, através deste contato físico, os seus sentimentos por ele pois, o toque das mãos transmite amor, carinho e segurança.

 
2º mês - Apresente objetos grandes e coloridos para que ele possa brincar e tentar alcançá-los com as mãos.
Junto ao berço coloque um móbile colorido dentro do campo de visão do bebê.

 
3º. mês - Cante, faça gestos e expressões faciais. O bebê tentará imitar e responderá aos estímulos com sorrisos e ruídos.
Estimule o tato com objetos de diferentes texturas. Ex.: passar no pé ou na mão dele uma pluma e observar as reações; encostar na mão algo áspero e depois macio. Coloque-o sentado apoiado por almofadas.
 
4º. mês - Conte histórias curtas e imite o barulho dos animais com diferentes tons de voz. O bebê tentará imitar.
Jogue brinquedos (bolas, dados) para ele tentar agarrar.
 
5º. mês - Deixe-o brincar com brinquedos macios, como mordedores, pois tudo que ele agarrar, vai levar à boca.
Coloque músicas de diferentes ritmos e dance com ele.
Espalhe brinquedos à sua volta deixe-o a brincar no chão.

 
6º. mês - Durante as refeições relate ao bebê o que ele está comendo. Mostre-lhe os alimentos.
Nesta fase, convide a criança para passear, e espere que ela lhe estenda os braços.
Imite o barulho dos animais e objetos, como gatos, telefone, estimulando-o a fazer o mesmo. Ao ar livre, deixe-o próximo das árvores, para que ele observe o balancear o e barulho das folhas.

7º. mês – Proporcione à criança a manipulação de brinquedos que façam barulho, de diferentes cores, formas e tamanhos. Coloque-os próximos  e estimule-o de modo a ele ir buscá-los.
Ensine-o a dizer adeus. Em pouco tempo repetirá os gestos dos adultos.

 
8º. mês - Brinque às escondidas com uma toalha ou cortina. Permita que a criança mande objetos para o chão. Ele repetirá inúmeras vezes este movimento. Desta forma, estará a fomentar a noção de causa e efeito.
Conte histórias, mostrando as imagens do livro.

 
9º. mês - Deixe perto dele brinquedos grandes e coloridos. Ensine-o a empilhá-los e a encaixá-los.
Quando junto do bebê, relate-lhe tudo o que faz. Ele começará a repetir sílabas. Converse sobre animais e imite o barulho dos mesmos.

 
10º. mês - Converse com o bebê e dê-lhe alternativas. Por exemplo: "Você quer o urso ou a bola". Assim ele apontará o que quer e muitas vezes irá chorar se não for atendido.
Dance e cante com ele no colo, ele tentará imitar a coreografia e soltará os seus monossílabos.
Dê-lhe um telefone de brinquedo. Assim, você irá incentivar a linguagem.
 
11º. mês - Participe nas brincadeiras da criança.
Deixe à mão objetos que possam ser colocados e retirados de uma caixa ou balde.
Chame a atenção dele para objetos e animais conhecidos e também para as novidades.
Estimule-o a beber água em copos ou com o auxílio de canudinhos.
12º mês - Cante e conte histórias. Disponibilize livros e revistas para manusear. Incentive-o a comer sozinho e a guardar brinquedos.
Ele já entende ordens curtas, portanto explique-lhe tudo: o que estão fazendo, onde vão, etc... Brinque às escondidas ou à apanhada com a criança. Jogue à bola com ela.
Segundo / Terceiro Ano
 
Depois do primeiro ano, existem três marcos evolutivos do desenvolvimento da criança:
- O aparecimento da marcha;
- O início da linguagem (sobretudo a possibilidade de dizer "não");
- O controle dos esfíncteres, que representa a possibilidade de entre os 2 e os 3 anos prescindir-se do uso de fraldas.

         Com a aprendizagem da marcha e da linguagem, a criança adquire, de forma progressiva, a sua independência motora, ficando muito mais apta a explorar o que a rodeia. Nesta fase, a capacidade de tolerar a distância e a ausência dos pais é maior, mas ainda não é substancial. Para que exista uma presença emocional dos pais na vida psíquica da criança, a sua presença é ainda muito necessária.
        Por esta altura, a criança começa a andar, sobe e desce escadas, vai para cima dos móveis, etc. - o equilíbrio é inicialmente bastante instável, uma vez que os músculos das pernas ainda não estão bem fortalecidos. Contudo, a partir dos 16 meses, a criança já é capaz de caminhar e de se manter de pé em segurança, com movimentos muito mais controlados. Verifica-se igualmente uma melhoria da motricidade fina devido à prática - capacidade de segurar um objeto, manipulá-lo, passá-lo de uma mão para a outra e largá-lo deliberadamente. Por volta dos 20 meses, será capaz de transportar objetos na mão enquanto caminha.

        Após o segundo aniversário, e à medida que o seu equilíbrio e coordenação aumentam, a criança é capaz de saltar, andar ao pé-coxinho ou saltar de um pé para o outro quando está a correr ou a andar. É mais fácil manipular e utilizar objetos com as mãos, como um lápis de cor para desenhar ou uma colher para comer sozinha.
       No segundo ano de vida, a linguagem começa igualmente a desenvolver-se e, a possibilidade de dizer "não", "eu" e "meu" surge como a expressão do eu próprio em oposição ao outro. Verifica-se uma grande mudança na consciência que a criança tem de si própria.
 
       Após os 15 meses, verifica-se uma maior capacidade de compreensão das ordens impostas, inicialmente com o recurso de gestos, depois, sem os mesmos. Começa a conseguir acompanhar ordens simples, do gênero "Me dá o brinquedo".
       
       Uma vez que este é o período em que as crianças estão mais abertas à aprendizagem da linguagem, os adultos que falam muito com elas, que lhes lêem, ensinam canções e poemas infantis (por outras palavras, que usam a linguagem para comunicar com elas) têm um efeito marcante no seu desenvolvimento linguístico.
 
     As inter-relações pessoais também ajudam as crianças a distinguir quais os comportamentos adequados e quais não são. À medida que o seu comportamento se torna cada vez mais complexo durante o segundo ano de vida, a criança vai aprendendo com as expressões faciais dos adultos, com o seu tom de voz, gestos e palavras, quais os tipos de comportamento que geram aprovação e quais geram reprovação. Os padrões geram-se através do dar e receber entre as crianças e os adultos que cuidam delas. Contudo, e a par do comportamento, são também muito importantes as emoções, os desejos e a auto-imagem em formação.

       A partir dos 24 meses, surge a idade dos "Porquês?" À medida que se desenvolvem as suas competências linguísticas, a criança começa a exprimir-se de outras formas, que não apenas a exploração física - trata-se de juntar as competências físicas e de linguagem (por ex., quando faço isto, acontece aquilo), o que ajuda ao seu desenvolvimento cognitivo. É capaz de produzir regularmente frases de 3 e 4 palavras. A partir dos 32 meses, é já capaz de conversar com um adulto usando frases curtas e de continuar a falar sobre um assunto por um breve período. Ocorre igualmente um desenvolvimento da consciência de si: a criança pode referir-se a si própria como "eu" e pode conseguir descrever-se por frases simples, como "tenho fome".
          No seu processo de evolução, por volta dos dois anos/dois anos e meio, vai-se verificar a capacidade de criar imagens mentais (aquilo a que chamamos símbolos, ideias). Tal leva à compreensão dos conceitos - progressivamente, e com a ajuda dos adultos, vai sendo capaz de compreender conceitos como dentro e fora, cima e baixo. Por volta dos 32 meses, começa a apreender o conceito de sequências numéricas simples e de diferentes categorias (o que mais tarde lhe permitirá o contar até 10; formar grupos de objectos - 10 animais de plástico podem ser 3 vacas, 5 porcos e 2 cavalos, etc.).

           Por esta altura, as brincadeiras que implicam o fazer de conta ou a imaginação e que envolvem dramas humanos (por ex., bonecos a abraçar-se ou a lutar) ajudam a criança a aprender a relacionar uma imagem ou representação com um desejo, e depois usar essa imagem para pensar.

          Surge então a capacidade de auto-observação. Esta capacidade é fundamental para o autocontrole de atividades tão simples como pintar dentro ou fora dos riscos de um desenho, ou fazer corresponder imagens com números. A auto-observação também ajuda a estabelecer relações de empatia com os outros e a corresponder a expectativas.

           Nesta fase, a criança irá investir muito na medição das suas posses, limites (de que algumas birras são exemplo), bem como em comportamentos onipotentes, de risco ou de oposição. Embora seja um aspecto fundamental em todo o desenvolvimento, é uma altura em que se torna maior a importância das regras e limites estabelecidas às e com as crianças.

           As birras são uma das formas mais comuns da criança chamar a atenção, e podem dever-se a mudanças ou a acontecimentos, ou ainda a uma resposta aprendida (costumam estar relacionadas com a frustração da criança e com a sua incapacidade de a comunicar de forma eficaz).

           Frequentemente, existe uma tendência dos pais em facilitar-lhes tudo, devido a uma culpabilidade inconsciente que sentem em não passarem com os seus filhos o tempo que consideram ideal, considerando-se que conter, frustrar, contrariar ou proibir pode prejudicar a criança.

           Mas, o que se verifica é que as crianças mais inseguras e com um maior sentimento de desproteção são aquelas que, desde pequenas, não lhes foram passadas regras nem limites por uma entidade protetora.

Bases para a aprendizagem da disciplina
 
          A seguir ao amor, o que de mais importante podemos dar a uma criança são os limites. Toda a aprendizagem, mesmo a dos limites e da organização, começa com o carinho, a partir do qual as crianças aprendem a confiar, a sentir calor humano, intimidade, empatia e afeição pelos que a rodeiam. Os limites e a organização começam com o afeto, pois 90% da tarefa de ensinar as crianças a interiorizarem os limites baseiam-se no desejo dela de agradar ao "outro". Elas sentem este desejo por diferentes razões: porque amam as pessoas que cuidam delas e querem a sua aprovação e o seu respeito e/ ou porque têm medo.

            As crianças aprendem também a modelar as suas atitudes a partir das de quem está com elas. A moral desenvolve-se a partir da tentativa de querer ser como um adulto admirado.

           Um dos problemas associados às regras e limites fundamentalmente estabelecidos a partir do medo prende-se com a impossibilidade da figura de autoridade estar sempre junto da criança, o que faz com que, na sua ausência, a criança não sinta medo da punição. Por outro lado, o excesso de medo pode criar na criança ansiedade e inibição na maior parte das situações, chegando ao ponto de inibir formas saudáveis de expressão

              Quando a disciplina é estabelecida como uma aprendizagem e é reforçada, com muita empatia e carinho, as crianças sentem-se bem por seguirem as regras. A sensação de saber que se é "o menino dos olhos" de alguém é muito agradável. Quando essa criança sentir o olhar de desapontamento por um comportamento incorreto, vai possuir uma sensação de perda porque não recebe o olhar carinhoso de quando se porta bem. Se nunca tivesse sentido tal, não haveria sensação de perda ou de frustração que a motivasse interiormente a modificar o comportamento.

           Os castigos corporais não são uma boa alternativa à disciplina. Ela tem a ver com ensinar, não com o punir. Os castigos corporais não respeitam a criança e tendem a danificar a sua auto-imagem. Além disso, estamos a transmitir à criança a imagem de que, em determinadas situações, os problemas podem ser resolvidos através da violência. Medidas como a contenção, o isolamento, o afastamento são mais eficazes. Apesar de tudo, é necessário ver que a disciplina é uma tarefa a longo prazo. O objetivo é ensinar a criança a controlar os seus próprios impulsos.

               Ao nível da socialização, a criança aprecia a interação com adultos que lhe sejam familiares, imitando e copiando os comportamentos que observa. No entanto, vai verificando-se um aumento progressivo da autonomia: sente satisfação por estar num grupo de crianças, necessitando apenas de confirmar ocasionalmente a presença e disponibilidade do(s) adulto(s) de referência - esta necessidade aumenta em situações novas, surgindo uma maior dependência quando é necessária uma nova adaptação.

             As suas interações com as outras crianças são ainda limitadas: as suas brincadeiras decorrem sobretudo em paralelo e não em interação com elas. A partir dos 20-24 meses, e à medida que começa a ter maior consciência de si própria, física e psicologicamente, começa a alargar os seus sentimentos sobre si própria aos outros - desenvolvimento da empatia (começa a ser capaz de pensar sobre o que os outros sentem).

             Inicialmente, o leque de emoções é vasto, desde o puro prazer até à raiva frustrada. Embora a capacidade de exprimir livremente as emoções seja considerada saudável, a criança necessitará de aprender a lidar com as suas emoções e de saber que sentimentos são adequados, o que requer prática e ajuda dos adultos.

              No decorrer do terceiro ano de vida, começa a verificar-se como tema comum de brincadeira a imitação e tentativa de participar nos comportamentos dos adultos: por ex., lavar a louça, maquilhar-se, etc.


Controle dos esfíncteres
 
               Com cerca de dois anos de idade, inicia-se o processo de ensino do controle dos músculos que permitem a possibilidade de contenção e expulsão das fezes e da urina (controle dos esfíncteres). E, simultaneamente, a aprendizagem da limpeza do corpo. Travam-se as "lutas" do banheiro. Do ponto de vista da criança, tal implica uma renúncia, um "favor" que se presta à mãe. Os pais desejam que a criança passe a utilizá-lo sempre que sente necessidade e esta vai aproveitar a possibilidade de controle para os seus momentos de oposição e jogos de afirmação. É um momento importante do desenvolvimento e é de salientar que poderá provocar na criança muita ansiedade, sobretudo quando há excessiva rigidez na educação (chegando-se por vezes ao castigo quando a criança não controla). É desejável que este processo seja realizado com tranquilidade, aceitando o ritmo de cada uma.

           É preciso evitar um exagero na necessidade de limpeza. Em alguns casos, a associação entre sexo e "porcaria" poderá mais tarde, no adulto, repercutir-se como uma não aceitação do seu próprio corpo, dos seus cheiros e líquidos, o que eventualmente, levará a manifestações negativas nas suas vivências afetivas e comportamentos mais íntimos.
 









sábado, 17 de dezembro de 2011

O Desenvolvimento da criança de 0 à 3 anos

Acho interessante colocar um pouco do desenvolvimento de cada faixa etária. O Professor, precisa saber com que tipo de criança está trabalhando e o que fazer para que esta se desenvolva cada vez mais.
Tia Nanda


 
POR FERNANDA LOPES

 Primeiro Ano de Vida

          Durante todo o primeiro ano de vida, o bebê é completamente dependente de nossos cuidados.

           Esta é uma relação que traz proveitos para ambos os lados. Se, no caso do bebê, o seu objetivo está ligado à própria sobrevivência pessoal, no caso da mamãe, tal é igualmente uma questão de sobrevivência, mas, neste caso, a sobrevivência dos seus genes.

           Após nove meses dentro do útero materno, o bebê estará provavelmente preparado para entrar no mundo exterior. No entanto, o desenvolvimento continua muito para além do nascimento, quer a nível intelectual, quer a nível motor.

          Alguns autores defendem que este ritmo atrasado de desenvolvimento é o que mais distintamente nos torna humanos, pois o seu resultado inevitável é um período extenso e prolongado de dependência. Por um lado, isso constitui um grande inconveniente para a criança e para os pais mas, simultaneamente, acarreta grandes benefícios. Com efeito, um período tão longo de dependência justifica-se pelo fato de ser uma criatura cuja principal especificidade é a capacidade de aprender e, invenção básica, a cultura, isto é, os modos de ser e estar no mundo que cada geração transmite para a seguinte. Desta forma, com tanto para aprender, as crianças têm muito a ganhar com o fato de serem forçadas a permanecer junto daqueles que as ensinam.

"O Equipamento do Recém-nascido"

           Ao nascer, os bebês têm pouco controle sobre o seu aparelho motor. Os recém-nascidos possuem reduzidas capacidades de ação: agitam-se duma forma descoordenada e nem conseguem segurar a cabeça. Aos 4 meses de idade, serão capazes de se sentar com apoio e de tentar agarrar objetos que estejam à vista, mas algo que realizam com taxas de insucesso elevadas.
           No entanto, o recém-nascido começa a vida com um equipamento neurológico de sobrevivência, um conjunto de reflexos primitivos que o ajudará ao longo desta primeira fase de vida.

           Alguns destes reflexos, nos primeiros meses, estão relacionados com o ato de agarrar-se à pessoa que a pega ao colo. Um exemplo é o reflexo de preensão palmar: ocorre quando um objeto toca a palma da mão do bebê, e este procura automaticamente apertar o objeto, sem o largar. Se o objeto é levantado, a criança continua agarrada e é erguida conjuntamente com ele.

           Outro reflexo diz respeito à alimentação - Reflexo dos pontos cardeais. Ao aproximar algo da face do bebê, a sua cabeça volta-se na direção da fonte de estimulação, com a boca aberta. A cabeça continua a rodar até que o estímulo, normalmente o seio da mãe, a chupeta ou o dedo, se encontre dentro da boca. Quando se chega a este ponto, o bebê começa instintivamente a sugar.

          Ao fim de poucos meses estes reflexos terminam. Em alguns casos, o reflexo acaba por ser substituído por uma resposta consciente. Por exemplo, o reflexo de preensão palmar desaparece por volta dos três ou quatro meses de idade, o que não significa que deixem de agarrar coisas com a mão. Por essa altura, fazem-no, mas de uma forma voluntária. Estes atos voluntários não podem ser executados, mesmo desajeitadamente, antes de várias partes do córtex cerebral terem atingido um nível de maturidade suficiente para os tornarem possíveis. Até essa altura, os reflexos do bebê funcionam enquanto um substituto temporário.

A capacidade sensorial do bebê

           Enquanto as capacidades motoras dos bebês são, inicialmente, muito limitadas, os canais sensoriais funcionam, desde logo, muito bem. Tal é amplamente comprovado nas mudanças dos ritmos de respiração, de mamar e de índices semelhantes de resposta à estimulação.

           Os recém-nascidos têm uma audição apurada. Conseguem discriminar entre tons de diferentes alturas e intensidades; possuem certa tendência para responder a uma voz humana suave, especialmente feminina, preferencialmente a outros sons. Conseguem ver, apesar de um tanto "míopes" e incapazes de focar objetos a distâncias maiores do que cerca de um metro e vinte. Podem discriminar facilmente brilho e cor e seguir um estímulo móvel com os olhos. Além disso, são sensíveis ao tato, aos odores e ao paladar.

Desenvolvimento Emocional / Social

           Os instintos e reflexos inatos giram, antes de mais nada, à volta da ingestão de alimentos e à satisfação das necessidades básicas. Consequentemente, existe uma enorme dependência da mãe, com a qual o recém-nascido mostra-se ainda sem grande capacidade de individualidade e autonomia. A comunicação com a mãe (ou outro adulto de referência) proporciona à criança segurança.

           O sentimento de aceitação incondicional por parte da mãe é um fator indispensável ao desenvolvimento da confiança. Na ausência de uma relação duradoura com uma pessoa (para alimentação, cuidados, contato da pele), pode resultar a retirada para dentro de si mesmo, ou indiferença.

           Se no início, a criança sente a mãe como parte de si mesma, no culminar do primeiro ano, ela aprende a vivenciar a mãe como objeto separado (com identidade e papel próprios). Aprende a esperar (tolerância à frustração) e, desta capacidade de espera resulta o ecoar interno de uma representação da mãe.

           Mas, esses momentos de crescimento só serão possíveis se esta etapa for suficientemente preenchida de boas experiências emocionais, que permitam ao bebê um modelo de estabilidade e segurança, previsível e contínuo. Ganham os bebês que se ligam bem aos adultos mais próximos, e com eles constroem uma relação de confiança básica, marcada por uma rotina, sem períodos de separações traumáticas ou perdas de figuras de referência. Perdem aqueles que, por oposição, possuírem vinculações inseguras, marcadas pela instabilidade ou, por múltiplos prestadores de cuidados. Aqui cabe aos pais cujos filhos permanecem em creches ou berçários, verificarem a estabilidade de funcionários responsáveis pela criança na instituição.

            Esta vinculação pode ser indicadora da qualidade das ligações emocionais futuras da criança. Aquelas cuja ligação com a mãe ocorreu de modo seguro, estão naturalmente mais aptas a gostar de ir à escola, aprender, brincar, receber e visitar amigos, e um dia namorar, casar, terem a sua família organizada. Tal é possível devido a uma confiança básica em si e no mundo, adquirida precocemente.

           É também pelas pequenas frustrações do dia-a-dia que a criança continua a crescer. Nenhum adulto satisfaz 100% no que diz respeito à capacidade de resposta das necessidades das crianças. Dentro de certos limites, é por uma boa dose de frustração (desapontamento, desilusão) que o bebê reconhece cada vez mais os seus limites, bem como os dos outros que dela cuidam, e sai, pouco a pouco, de uma posição onipotente.

           É igualmente aconselhável que, durante o primeiro ano de vida, o bebê possa ocupar o seu espaço privado num quarto próprio. Para que, pouco a pouco, possa se adaptar a pequenos sinais da sua autonomia emocional e social.

          Neste Estádio de Desenvolvimento, os bebês aprendem, principalmente, através dos sentidos, e são, fortemente, afetados pelo aqui e agora. Daí a importância de lhes assegurar um meio sensorial rico e responsivo de modo a promover o desenvolvimento da inteligência das crianças.