sábado, 17 de dezembro de 2011

O Desenvolvimento da criança de 0 à 3 anos

Acho interessante colocar um pouco do desenvolvimento de cada faixa etária. O Professor, precisa saber com que tipo de criança está trabalhando e o que fazer para que esta se desenvolva cada vez mais.
Tia Nanda


 
POR FERNANDA LOPES

 Primeiro Ano de Vida

          Durante todo o primeiro ano de vida, o bebê é completamente dependente de nossos cuidados.

           Esta é uma relação que traz proveitos para ambos os lados. Se, no caso do bebê, o seu objetivo está ligado à própria sobrevivência pessoal, no caso da mamãe, tal é igualmente uma questão de sobrevivência, mas, neste caso, a sobrevivência dos seus genes.

           Após nove meses dentro do útero materno, o bebê estará provavelmente preparado para entrar no mundo exterior. No entanto, o desenvolvimento continua muito para além do nascimento, quer a nível intelectual, quer a nível motor.

          Alguns autores defendem que este ritmo atrasado de desenvolvimento é o que mais distintamente nos torna humanos, pois o seu resultado inevitável é um período extenso e prolongado de dependência. Por um lado, isso constitui um grande inconveniente para a criança e para os pais mas, simultaneamente, acarreta grandes benefícios. Com efeito, um período tão longo de dependência justifica-se pelo fato de ser uma criatura cuja principal especificidade é a capacidade de aprender e, invenção básica, a cultura, isto é, os modos de ser e estar no mundo que cada geração transmite para a seguinte. Desta forma, com tanto para aprender, as crianças têm muito a ganhar com o fato de serem forçadas a permanecer junto daqueles que as ensinam.

"O Equipamento do Recém-nascido"

           Ao nascer, os bebês têm pouco controle sobre o seu aparelho motor. Os recém-nascidos possuem reduzidas capacidades de ação: agitam-se duma forma descoordenada e nem conseguem segurar a cabeça. Aos 4 meses de idade, serão capazes de se sentar com apoio e de tentar agarrar objetos que estejam à vista, mas algo que realizam com taxas de insucesso elevadas.
           No entanto, o recém-nascido começa a vida com um equipamento neurológico de sobrevivência, um conjunto de reflexos primitivos que o ajudará ao longo desta primeira fase de vida.

           Alguns destes reflexos, nos primeiros meses, estão relacionados com o ato de agarrar-se à pessoa que a pega ao colo. Um exemplo é o reflexo de preensão palmar: ocorre quando um objeto toca a palma da mão do bebê, e este procura automaticamente apertar o objeto, sem o largar. Se o objeto é levantado, a criança continua agarrada e é erguida conjuntamente com ele.

           Outro reflexo diz respeito à alimentação - Reflexo dos pontos cardeais. Ao aproximar algo da face do bebê, a sua cabeça volta-se na direção da fonte de estimulação, com a boca aberta. A cabeça continua a rodar até que o estímulo, normalmente o seio da mãe, a chupeta ou o dedo, se encontre dentro da boca. Quando se chega a este ponto, o bebê começa instintivamente a sugar.

          Ao fim de poucos meses estes reflexos terminam. Em alguns casos, o reflexo acaba por ser substituído por uma resposta consciente. Por exemplo, o reflexo de preensão palmar desaparece por volta dos três ou quatro meses de idade, o que não significa que deixem de agarrar coisas com a mão. Por essa altura, fazem-no, mas de uma forma voluntária. Estes atos voluntários não podem ser executados, mesmo desajeitadamente, antes de várias partes do córtex cerebral terem atingido um nível de maturidade suficiente para os tornarem possíveis. Até essa altura, os reflexos do bebê funcionam enquanto um substituto temporário.

A capacidade sensorial do bebê

           Enquanto as capacidades motoras dos bebês são, inicialmente, muito limitadas, os canais sensoriais funcionam, desde logo, muito bem. Tal é amplamente comprovado nas mudanças dos ritmos de respiração, de mamar e de índices semelhantes de resposta à estimulação.

           Os recém-nascidos têm uma audição apurada. Conseguem discriminar entre tons de diferentes alturas e intensidades; possuem certa tendência para responder a uma voz humana suave, especialmente feminina, preferencialmente a outros sons. Conseguem ver, apesar de um tanto "míopes" e incapazes de focar objetos a distâncias maiores do que cerca de um metro e vinte. Podem discriminar facilmente brilho e cor e seguir um estímulo móvel com os olhos. Além disso, são sensíveis ao tato, aos odores e ao paladar.

Desenvolvimento Emocional / Social

           Os instintos e reflexos inatos giram, antes de mais nada, à volta da ingestão de alimentos e à satisfação das necessidades básicas. Consequentemente, existe uma enorme dependência da mãe, com a qual o recém-nascido mostra-se ainda sem grande capacidade de individualidade e autonomia. A comunicação com a mãe (ou outro adulto de referência) proporciona à criança segurança.

           O sentimento de aceitação incondicional por parte da mãe é um fator indispensável ao desenvolvimento da confiança. Na ausência de uma relação duradoura com uma pessoa (para alimentação, cuidados, contato da pele), pode resultar a retirada para dentro de si mesmo, ou indiferença.

           Se no início, a criança sente a mãe como parte de si mesma, no culminar do primeiro ano, ela aprende a vivenciar a mãe como objeto separado (com identidade e papel próprios). Aprende a esperar (tolerância à frustração) e, desta capacidade de espera resulta o ecoar interno de uma representação da mãe.

           Mas, esses momentos de crescimento só serão possíveis se esta etapa for suficientemente preenchida de boas experiências emocionais, que permitam ao bebê um modelo de estabilidade e segurança, previsível e contínuo. Ganham os bebês que se ligam bem aos adultos mais próximos, e com eles constroem uma relação de confiança básica, marcada por uma rotina, sem períodos de separações traumáticas ou perdas de figuras de referência. Perdem aqueles que, por oposição, possuírem vinculações inseguras, marcadas pela instabilidade ou, por múltiplos prestadores de cuidados. Aqui cabe aos pais cujos filhos permanecem em creches ou berçários, verificarem a estabilidade de funcionários responsáveis pela criança na instituição.

            Esta vinculação pode ser indicadora da qualidade das ligações emocionais futuras da criança. Aquelas cuja ligação com a mãe ocorreu de modo seguro, estão naturalmente mais aptas a gostar de ir à escola, aprender, brincar, receber e visitar amigos, e um dia namorar, casar, terem a sua família organizada. Tal é possível devido a uma confiança básica em si e no mundo, adquirida precocemente.

           É também pelas pequenas frustrações do dia-a-dia que a criança continua a crescer. Nenhum adulto satisfaz 100% no que diz respeito à capacidade de resposta das necessidades das crianças. Dentro de certos limites, é por uma boa dose de frustração (desapontamento, desilusão) que o bebê reconhece cada vez mais os seus limites, bem como os dos outros que dela cuidam, e sai, pouco a pouco, de uma posição onipotente.

           É igualmente aconselhável que, durante o primeiro ano de vida, o bebê possa ocupar o seu espaço privado num quarto próprio. Para que, pouco a pouco, possa se adaptar a pequenos sinais da sua autonomia emocional e social.

          Neste Estádio de Desenvolvimento, os bebês aprendem, principalmente, através dos sentidos, e são, fortemente, afetados pelo aqui e agora. Daí a importância de lhes assegurar um meio sensorial rico e responsivo de modo a promover o desenvolvimento da inteligência das crianças.

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